Archive for: maio 15th, 2013

Baile à fantasia

mai 15 2013 Published by under Crônica

As pessoas, em tempo de carnaval, costumam-se camuflar a identidade se metendo nas mais diversas máscaras. Se ocultar para fazer o que em plena normalidade não o faria. Essa tradição pendura no decorrer dos séculos e com certeza continuará por outro bocado. A prática comentada estaria dentro da normalidade se o devido fato se resumisse a especifica data. A sociedade em que nos encontramos encaixados, como sujeito ativo dessa ebulição efervescente da vida pensante, a mesma que se diz justa, na maioria das vezes, pauta-se na sombra dos bons valores. Seus integrantes na tentativa de se promoverem usam dos mais variados meios na tentativa única de alcançarem seus devidos objetivos. As máscaras não caem, o carnaval com duração de quatro dias se estende ao ano todo.

Como não existe leitor de pensamentos, como só podemos identificar o outro pela visão, audição e na fala, difícil se torna saber se a pessoa de fato é aquilo que a mesma tenta se passar. Muitos se metem em roupas de grifes, outros em ferrares, uns nos seus vários diplomas, ou por está celebridade em uma mídia que os fazem descartáveis a decorrer das estações.  A vista do público, esses seres são endeusados, reverenciados, bajulados e tudo mais. Poucos são os que fazem algo por apenas fazer sem se importar com a contrapartida. Se se comportam da referida forma, desejam no âmago sorver proveitos. Nessa festa toda, nesse baile, escolher bem a fantasia poderá dá ao indivíduo certas vantagens.

Volta e meia à máscara vai ao chão, literalmente “A máscara cai”. Um momento impar, todos de imediato conhecem o verdadeiro ser. Os demais mascarados se sentem felizes, um momento que merece fartos comentários, muitos burburinhos. “A máscara caiu”. Mas em poucos dias o mesmo coitado escolhe uma nova e se posta como vencedor, vencedor de uma sociedade vencida. A festa continua…

Quando criança via em muitos adultos da sociedade, nomes que percorrem as ruas, esquinas e residências, seres tidos como diferenciados. As máscaras valem muito a distância, basta à aproximação, um pouco de conversa, para se mostrar a realidade. Com o tempo, aqueles que tinham como superiores, uns partiam sob o peso cruel dos vícios, outros era verdadeiro lobo dentro do lar, pessoas que diziam para que os outros fizessem de uma forma executavam o contrário. Feras em pele de cordeiro.

Qual será a minha máscara? A sua me parece muito atraente. Com uma roupagem diferente podemos ludibriar. Em uma sociedade em que a ética é caríssima, mas ao mesmo tempo de nenhum valor, ter em demasia ou não ter nenhuma, figurando nos extremos dos polos, poderá ter suas vantagens materiais. O que importa não é ser, todavia parecer com aquilo que o outrem espera que sejamos. Iludir é fácil, basta um pouco de criatividade, de encenação e de pilantragem. Para muitos é melhor viver sobre o peso de um sonho mentiroso a conhecer o pesadelo da verdade.

O carnaval continua… Será se até os finais dos séculos? Mudando de assunto: “Você está precisando de uma nova máscara”. Mas não escolha essa aí não, pois já escolhi para mim. Voltemos a festa.

Comments are off for this post