Archive for: maio, 2013

Sou mais meu litro de Dreher

Onde há futebol, onde tem cachaça boa e barata, histórias hilariantes surgem espontaneamente. Na nossa adolescência, que ficou nas estradas sinuosas e pedregosas do outrora, um fato que merece ser lembrado e contado se passou perante nossas retinas. Como fomos participante vivo daquele singular momento e gostamos de escrever história nos vemos obrigados a ditá-la.

Times são criados, logo desfeitos, criam-se outros e assim seguem como a vida e a morte. Há uns dez anos mais ou menos, em Paramirim existiu uma equipe de futebol, seus participantes tinham como intuito a pura diversão, o resultado do jogo pouco se importava, a juventude buscava extravasar sua farta energia. Quando nessa fase todos pesam serem reis, acham poder tudo, querem tudo, normalidade da adolescência pujante.

Em uma tarde de domingo, domingo de sol, domingo parado, um domingo qualquer, o time dos Abandonados partiu para a comunidade de Feira Nova, município de Caturama, para enfrentar a equipe local, esse seria mais um encontro entre as duas equipes. Fomos de ônibus, Zé Gatinha era o motorista. Pouco tempo se passou e nós estávamos no nosso destino traçado. Às dezesseis horas, deu-se início ao jogo, uns cem torcedores prestigiavam o espetáculo.

O jogo estava equilibrado, três jogadores nosso era nível de Seleção de Paramirim, nosso goleiro pegava muito, as torcedoras ao notar o desempenho dele foram ficar ao fundo do gol. Cada defesa feita, as garotas gritavam de emoção. Em certo momento, quando o jogo estava no campo adversário, uma delas chegou perto da trave e indagou ao goleiro:

- Olá. Como você se chama?

O goleiro a ignorou, pois ela não a agradou. Porém a garota não desistiu e voltou a perguntar:

- Qual é seu nome? Ei, psiu! Qual é seu nome mesmo?

- Eu não tenho nome não!

- Oh bicho metido!

- Sou mesmo. É para quem pode.

O time adversário partiu no contra-ataque em alta velocidade, o lateral do nosso time gritou:

- Negão, olhe o gol!

O lance passou, o goleiro colocou a bola para bater o tiro de meta, ao afastar um pouco para trás para pegar velocidade, a garota disse:

- Então o apelido do metido é Negão… Tomara que tomasse vários gols.

- Eu sou o mestre… O mestre nunca toma gol…

Passado alguns minutos, o time da casa empata a partida. As torcedoras começaram a vaiar o nosso goleiro.

- Cadê o mestre, cadê? – gritavam as torcedoras.

- Deixei passar um golzinho, senão vocês iriam chorar. Eu sou o mestre, o dono da camisa dezoitoooooooo.

- Esse negão é muito metido. Tomara que tomasse outro.

No segundo tempo tomamos o segundo para alegria das torcedoras. Mas logo depois empatamos a partida e voltamos a virar. O jogo estava em três a dois, mas faltando alguns minutos para o fim, voltamos a sofrer mais um gol. Jogo empatado, decisão nas cobranças alternadas de pênaltis. A noite já começava a mostrar a sua força. O confronto valia dinheiro, era apostando, cada equipe colocou cinquenta reais, naquele tempo, bastante grana. O povão todo ao fundo do gol, as torcedoras também, gritavam o tempo todo. Primeira cobrança e o nosso goleiro a defendeu. Ele correu para as garotas mandando beijinhos. Em seguida todas as cobranças foram convertidas, mas faltava à última para o nosso time, bastaria Zoinho marcar para ganharmos a aposta. Quem conhece esse rapaz sabe que ele gosta de aprontar das suas, cheio das brincadeiras chutou a bola, por querer, para fora. A torcida foi à loucura. O goleiro nosso ia para o gol, as torcedoras gritavam, ele parou frente a elas e disse: “Essa defesa será em homenagem a vocês”. O rapaz bateu no ângulo direito do goleiro, ele voou feito uma águia e pegou. Em seguida correu para a torcida e disse: “Eu não disse: eu sou o mestre. Defendo a hora que quiser”. Um senhor comentou: “Mais que goleiro bom!”. Já estava quase escuro, nosso jogador bateu e marcou.

Tiramos os uniformes e descemos para o centro da comunidade, lá encontramos alguns bares e duas boates. Com o dinheiro foi comprado um tubão de mortadela, duas garrafas de conhaque dreher e vários pacotinhos de salgadinhos de milho. Os jogadores bebiam cerveja igual tivesse tomando água. Com o passar das horas muitos se viam ébrios. Dentro da boate o pessoal dançava, o local estava escuro. O goleiro com um litro de dreher debaixo do braço e um copo na mão sempre cheio da bebida passou por um grupinho de meninas e parou frente a uma delas e perguntou:

- Qual é o nome da gatinha mesmo?

- Eu não tenho nome, não foi assim que você me disse lá no jogo. Àquela hora você não tinha nome, agora o metido que saber qual é meu nome. Esse Negão é mesmo metido.

- Oh, meu bem, não fique com raiva, sou mais meu litro de dreher que você – e meteu o beijo no litro.  – Eu sou o mestre! Sou o camisa dezoitoooooo…

- Você é muito é metido.

Retornamos a Paramirim já tarde da noite. No outro dia, sobraram às dores da ressaca.

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Pessoas podem está sendo enganadas na hora de se cadastrar como Microempreedendor Individual MEI

mai 29 2013 Published by under Contábeis

Nos últimos dois dias nós fomos procurados por duas pessoas da nossa cidade em busca de resposta sobre uma mensagem, mas precisamente o número de um boleto, SMS recebidas no aparelho de celular. De imediato achamos a coisa estranha, pois já fizemos vários cadastros para pessoas da nossa região e nunca recebemos email e nem tão pouco mensagem em celular, sem falar que a Receita não usa enviar mensagens por celular ou email. Assim que nos inteirarmos do caso ficamos sabendo que as duas pessoas ao colocar na busca do Google as palavras Tirar CNPJ encontrou um endereço e clicou, preencheu o cadastro. Passado algum tempo recebeu a mensagem pedindo para que fosse pago uma quantia. Foi aí que elas nos procuraram. Não pagaram os boletos, mas os dados que elas colocaram no tal Site ficou com eles. Aconselhamos que elas procurassem um advogado e desse queixa na delegacia, melhor prevenir que remediar.

As pessoas que têm certos tipos de atividades e queira ficar dentro dos ditames da Lei e ter os benefícios que a mesma oferece basta fazer uma visita ao Site do Portal do Empreendedor (http://www.portaldoempreendedor.gov.br/) e ler o manual, conhecer todos os requisitos e depois realizar o cadastro. Caso tenha alguma dúvida procure um Contabilista da sua confiança ou um Escritório de Contabilidade. Muito cuidado com a Internet, pois nela há muitos que entram para ludibriar, todo cuidado ainda é pouco.

Veja aqui uma reclamação de uma pessoa em um Site de Reclamações contra um desses Sites (http://www.reclameaqui.com.br/2355414/dominios-brasil/mei-com-br–enganacao-nao-confiem/).

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A Verdadeira História do Sertão

mai 26 2013 Published by under Contos

A noite no sertão é magnífica, exuberante, encantadora, cheira a contos e fantasias. O céu noturno na sua pura e inibida nudez mostra todos os seus atributos aos que detém o poder espantoso da visão. A vegetação adormecida sonha e espera paciente pelas benditas lágrimas de felicidades da divina Providência. Aqui o calor é forte, descomunal, abrasador, foge a razão dos demais tópicos. Os animais são verdadeiras feras, não em termo de força nos dentes, destreza nos hábitos, mas na sua robustez de adaptação ao clima. Os homens, aqueles que vivem sobre espinhos de xique-xique, em volta a cascavéis, jararacas e jaracuçus, na árdua labuta, sonham diariamente com chuvas, vivem a ver oásis onde só há sequidão, são tidos por cabras da peste. Mas tudo o que se enxerga nos dias de hoje outrora fora totalmente contrário ao presente.

No meio do mato, entre mandacarus, coroas-de-frades, umbuzeiros, juazeiros e caatingas de porcos encontra-se uma singela moradia. Uma porta no centro, duas janelas de cada lado, pelo teto deixa fugir alguns raios da fraca luz do candeeiro, ainda na frente, uma desgastada calçada acompanhada por um terreiro de terra batida. Nessa casa já morou coronel. A morada não era dos que residiam, mas do patrão, moravam de favor, eram trabalhadores da propriedade. O que ganhava com o suor não dava sequer para comprar carne seca, arroz e feijão; a vida dura era de pena, mas a dignidade os fazia prosseguir, a fé em Jesus Cristo tornava-se a existência amena frente às dolorosas setas que não paravam de atormentar.

Um senhor de idade, tinha nas mãos calejadas e nos grandes pés rachados, sofridos pelas intempéries, noventa longos e penosos anos. Sentava-se em um banco, sempre carregava um cajado como assistente, apoiava o queixo nele enquanto não estava a falar. Como gostava de contar histórias, afirmava serem todas verídicas. As crianças disputavam lugares na calçada na ânsia de se empolgarem com os novos contos. Na casa havia três netos, eles adoravam escutar o avô falar, da redondeza vinham outras crianças para viajarem nas encantadas palavras do homem de barba branca e chapéu a tapar a careca dos seus poucos fios de cabelos, o restante ficaram pelas estradas pedregosas e abissais do Sertão.

O Natal se aproximava dia a dia, data em homenagem ao nascimento do Menino Jesus, as crianças já no clima da festa natalina indagavam ao bom velho:

- O senhor acredita em Papai Noel?

- Se eu acredito em Papai Noel? Sim, claro… como não… Papai Noel, o Bom Velhinho… Hou, hou, hou!

- O senhor já viu o Papai Noel, vovô?

- Se eu já vi o Papai Noel? – pensou um pouco – Não. Nunca o vi.

- Como o senhor pode acreditar em algo se nunca o viu antes?

- Crianças, eu vou lhes contar uma história, por sinal uma linda história.

- Quieta, vovô, Papai Noel não existe. Se ele existisse, teria nos presenteados nos Natais passados. Nenhuma criança da nossa região sequer ganhou que seja um único presente, uma única bala doce. Papai Noel nunca existiu. Se ele existiu ou existe, então não gosta da gente.

- Irei contar a vocês a história verdadeira do Papai Noel. Vocês querem que eu a conte?

- Claro! – todos gritaram em uma voz só.

- Existe outra história? – indagou o neto surpreso – Uma nova história do Papai Noel…

- Há muito tempo nossa região era um lugar bonito. Os rios corriam o ano todo, a vegetação estava sempre verde, os animais não passavam privações. Certa época, o orgulho e a avareza dos homens cresceram, foi então que nasceram os coronéis. As propriedades, antes de todos, foram cercadas, os homens, até então livres, se viram forçadas a conviverem sobre o peso das ordens e da chibata. Naqueles longínquos tempos, todas, mas todas as crianças ganhavam do bom velhinho um presente de Natal.

- O povo vivia feliz naquela época… – sonhava o netinho.

- Quanto mais os dias iam passando, maior se tornava a ganância dos homens. Nas feiras livres, as brigas corriam soltas, mulheres se perdiam na prostituição, crianças e idosos eram relegados ao acaso. O homem renunciara o seu maior legado, a decência. As famílias passaram a travar duelos por motivo de posses, nossa região virou um campo de sangue e de ferocidade. Deixamos fluir de dentro de nós a podridão que carregamos no âmago do espírito. Éramos verdadeiros demônios. Não havia mais paz. Obedeciam, os sensatos; imprimia a força, os de poder; os loucos pereciam por não saberem obedecer.

- O povo era ruim assim, vovô?

- Nem todas as pessoas, mas a sua grande maioria sim. Bastaria dá poder a um manso para que ele se tornasse em ruindade aos que já estavam.  Com as lutas muitos morreram. A força começou a se estabelecer entre duas facções, de um dos lados, à família do Coronel Afonso, do outro, a do Coronel Santana. A luta entre os dois grupos eram pela disputa da hegemonia. Não se encontrava por estas paragens mais amor, só se cheirava ódio e raiva. Dificilmente você iria deparar com uma árvore que não fosse assinalada por balas.

O velho parou, tirou do bolso uma palha de milho, do outro, um roliço pedaço de fumo, com o canivete que trazia na cintura trabalhou em sua obra prima; das mãos surgiu um cigarro de palha, para fechá-lo passou-se a língua devagar pela margem da palha e com o dedo fez colar. Levou-se a boca, tirou do bolso uma caixa de fósforos, passou-se o palito, o fogo germinou, levou-se a palma da mão como proteção à chama e lentamente, puxada a puxada deu razão e serventia ao produto. A fumaça foi lançada ao céu umas três vezes. Olhou para uma estrela e disse: “É lá onde mora o Papai Noel”.  As crianças viajaram naquelas palavras: “É lá onde mora o Papai Noel” Repetidas vezes: “Lá, lá, lá onde mora, lá onde mora, o Papai, o Papai Noel”.

- O Coronel Afonso brigava constantemente com o Coronel Santana. Volta e meia um dos seus aparecia morto. A alegria do nosso povo, dos humildes, dos carentes, reservava-se a época de Natal. O Papai Noel iria trazer presentes e alegria. O único tempo que os habitantes deixavam as armas para confraternizarem com a paz. Todos respeitavam o Papai Noel. Mas o coronel Afonso, na sua demoníaca loucura, não queria mais a felicidade de seu povo, resolveu acabar com o pouquinho de alegria que pairava por estas terras. Se ele carregava em si ódio, porque os outros também assim não os teriam de carregar? Mas o motivo era outro, o interesse dele era as mercadorias. “Os presentes do Papai Noel serão todos meus. Este povo fedorento não precisa de nada” – asseverava o Coronel.

O velho deu mais duas puxadas no cigarro, com um peteleco o lançou uns cinco metros. “Pedrinho, vá lá dentro e traga para mim um copo com café”. O menino saiu à disparada, em segundos esticava a mão para o avô e o entregava uma xícara onde em seu topo subia fumaça. “Pedrinho, você é um bom menino. Quando você crescer, será um grande homem. Nossa terra carece muito de homens bons”.

- Vamos retomar a nossa história. O coronel Afonso juntou todos os seus homens, mandou buscar no Pajeú outro tanto e em seguida cercou toda a propriedade. O Coronel na ocasião disse: “De hoje o Papai Noel não passa! Esse Bom Velinho há de ter com os meus pesados punhos”.

Os jagunços se posicionaram feitos gatos a espera do pequeno passarinho. A noite não era tão noite, a luz da lua a fazia parecer a dia. O ponteiro do relógio corria loucamente engolindo os segundos, os minutos e em hora as horas. Faltavam trinta minutos para a meia-noite, no céu um pequeno risco de luz, a jagunçada a observava atentamente. O brilho ia aumentando, aumentando, aumentando… Seria um cometa? Poucos segundos para se confirmar o contrário. Em um voou rasante o trenó puxado pelas renas sobrevoou o céu da propriedade. Assim que o objeto tocou o chão, meio mundo de armas em um estalo se virou ao ilustre visitante.

- Hou, hou, hou! – o Papai Noel tentava acalmar suas renas.

- Papai Noel, que bom lhe vê por aqui – zomba o Coronel. – Estava pensando que o senhor não viria mais. Como foi de viagem? Trouxe muitas mercadorias? Só não lhe convido para a ceia em minha fazenda…

- Sou o Papai Noel, vim trazer os presentes para a criançada.

- Sabemos. Mas neste ano seus presentes não serão distribuídos às crianças como fora feito nos anos anteriores…

- Por que não?

- Estamos aqui para confiscá-los.

- Mas isso é uma afronta a Deus.

- Nas minhas terras mando eu. Toda a sua carga pertence a mim. Não vê que está em terras particulares. Homens, amarrem o Papai Noel e os seus dois ajudantes. Levem o trenó ao barracão e façam o descarrego.

- Vocês serão punidos por toda essa infâmia.

- Nestas terras manda quem tem bala na agulha. É melhor o senhor se comportar, porque se não… Não quero ser o primeiro a matar um Papai Noel.

- O senhor infringe o Código de Ética. Segundo o Artigo Quinze: “Quem tentar furtar ou roubar os presentes do Papai Noel sofrerá dura pena: mil gerações sofrerão pela afronta”.

- Agora de nada vale esse seu Código de Ética, somos donos da situação, você um prisioneiro. Na guerra, não há ética, nem códigos, somente a força do vencedor esmagando o vencido. Deixemos de conversa. Leve-os daqui!

O papai Noel e os seus dois ajudantes foram amordaçados e levados ao cárcere. Postos em uma casa escura e suja. Enquanto o bando comemorava a façanha, regado a muita aguardente, uma voz ressoou em alto grau pelo ambiente.

“Vocês não deram valor. Irão sofrer. Preparem-se, pois dias terríveis não tardarão em chegar”.

- Quem disse isso?- indaga um dos jagunços.

- Vamos ter uma conversinha com o Papai Noel. Essa voz deve ser um dos brinquedinhos dele – afirmou o Coronel.

Um dos capangas abriu a porta e a horda adentrou para uma conversa com o Bom Velinho.

- Papai Noel, conhecemos seus truques e seus brinquedos. Não queira nos fazer sorrir.

- Não sei do que o senhor está falando.

- Prende-os naquele quarto.

- Coronel, o senhor gosta muito de carne de caça. O senhor já experimentou carne de rena?

- Boa ideia! Após descarregamos os brinquedos iremos dá a liberdade a três das seis renas, e logo depois, caça-las.

- Não façam isso com esses pobres animais, eles são sagrados – implora o Papai Noel. – Como retornarei para minha terra?

- Nunca mais retornará a sua terra! Quem mandou se intrometer onde não fora chamado.

- Fui sim chamado. Todas as crianças me pediram presentes. Olhe nas janelas das suas casas e verá um par de meias.

- Tudo mentira! Nossas crianças jamais pediram nada a você. Leve-os, agora!

Os presentes foram descarregados, as renas soltas. O coronel tirou a arma da cintura e a ergueu ao alto, apertou o gatilho, um pipoco, no susto as renas adentraram na mata em plena correria.

- Vamos caçá-las, homens!

A matilha de homens ferozes sumiu na mata. Gritos de jagunços, latidos de cães, o terror tomava o interior do matagal. Não tardou em zunir pelo ar os estampidos dos tiros. Três horas foram suficientes para o abate das três renas.

- Coronel, por que não soltou todas as seis renas?

- As outras três iremos criá-las. Quero ter um rebanho desses bichos para mim.

Os homens trabalhavam a carne, enquanto outros cuidavam da fogueira. O Papai Noel observava tudo pelo vidro da janela, triste, chorava a morte dos amigos.

- Vocês não sabem o que fazem – balbuciou.

Comeram, beberam, dançaram, ali mesmo dormiram. Acordaram com os primeiros raios do sol, alguns pássaros já ensaiavam o canto. Ao abrir os olhos, não encontrou mais as renas e nem tão pouco o trenó. Correram para vistoriar o local onde se encontrava o Papai Noel e seus ajudantes. A porta estava fechada. Um alívio. Ao abri-la, surpresa, não se encontrava ninguém.

- Como eles fugiram daqui? –indaga o coronel furioso.

- Papai Noel é acostumado a entrar e sair pela chaminé. Acho que eles saíram por ali.

- Como fomos ingênuos! Como não pensei nisso antes. Mas ano que vem ele retornará, e aí o pegaremos novamente.

- Coronel, olhe só o que o Papai Noel deixou.

- Um bilhete de Papai Noel. Dei-me isso aí agora.

- O que nele diz?

O bilhete do Papai Noel dizia:

“De hoje em diante vocês sofrerão bastante para darem valor nas criações de Deus. Vocês aprenderão do modo mais difícil a terem bons modos. Da sua geração a mil gerações futuras sofrerão pelo disparate em que os senhores nos colocaram. Todos os finais de ano terão um único presente, o povo clamará por essa dádiva, e quando ela vir, se felicitará e agradecerá por ela. Passarão a me respeitar. Serão apenas dois meses de chuvas, no ano que forem bem comportados poderão ter dois ou até três, mas no ano em que desobedecerem, eu tenho até dó, não haverá sequer um. Tudo dependerá de vocês. Como sei que seus corações são feito à rocha, carregam em si um ódio medonho, não tenho duvidas, haverá muito sofrimento e miséria”.

- O Papai Noel nos amaldiçoou! – grita um dos homens com os olhos esbugalhados, carregado de terror e medo.

- Isso aqui não passa de um monte de baboseira – afirma o Coronel com um sorriso sinistro.

Enquanto andava em direção à montaria, fazia do bilhete um quebra-cabeça.  Sobre o cavalo, aprumaram-se as esporas na barriga do pobre, saiu em disparada, pelo caminho lançava os pedacinhos ao céu.

As nuvens aos poucos foram sumindo da atmosfera, o sol mostrava todo o seu poder. O povo feliz se banhava nos rios e lagos, aproveitava-se o paraíso que se formou.

- Está vendo, homens – disse o Coronel – o Papai Noel estava errado, olhem que paraíso.

Passou-se um dia, dois, uma semana, um mês.  Apenas sol. A vegetação sentia os efeitos, os rios já não corriam como antes. Um clima de pura apreensão pairava pelo ar.

- Coronel, se não chover nos próximos dias, como faremos para plantar?

- Vamos apanhar água nos rios.

- Mas os rios estão secando, logo não haverá mais água.

- É a maldição do Papai Noel! – afirmou o outro jagunço.

A serva escutou pela fresta da porta e tão logo saiu a comentar. De boca a ouvido, de ouvido a boca a notícia corria igual ao vento a contar telhados e os galhos das árvores: “A maldição do Papai Noel”, “A maldição do Papai Noel”, “A maldição do Papai Noel”.

- Maldição do Papai Noel! No Natal passado ele não passou por aqui. O que será que aconteceu? – indaga um comerciante indignado.

Passaram-se dois meses, vários animais iam se definhando, a água que corria em fartura começava a faltar, o temor apoderava-se do local que começava a ser Sertão.  No quarto mês de sol e calor faltava alimento nas mesas dos mais humildes, a fartura sumia com a vegetação.  Os animais que vagavam felizes viraram comida, as grandes árvores pereciam. O terror tomava conta do antigo paraíso.

- É a maldição do Papai Noel! – gritava o pecuarista que perdeu tudo.

- A maldição do Papai Noel! – saiu a gritar uma senhora.

- A culpa é do desgraçado do Coronel Afonso.

A loucura se apoderou do lugar. O povo se aglomerou defronte a residência do citado Coronel. Queria resposta, desejava soluções.

- Queremos saber o que significa essa história de Maldição do Papai Noel – gritava a multidão.

Dentro do recinto o Coronel chamava seus homens e os repassava a seguinte ordem:

- O primeiro que colocar os pés na varanda da minha residência, será o primeiro a cair por chão. Entenderam?!

- Sim, senhor.

- Agora vão. Daqui a pouco eu chegarei lá.

Os carrascos se posicionaram nos pontos específicos, lobos a espreita dos coelhos. Bastaria um simples sinal, um singelo esmagar de graveto, para tudo acontecer. E esse sinal veio, assim que o Coronel pôs os pés na varanda, aquele mais valente, sem intimidação, avançou em direção a ele, quando subia o quinto degrau de dez, recebeu nos peitos uma bala, enquanto sangue voava aos quatro cantos, o corpo se voltava para trás em grande violência, mínimos segundos, espatifou no chão duro de terra. O silêncio de tumba tomou o ambiente, se uma mosca passasse cortando o ar, de certo que todos a ouviria; mas nem as moscas tiveram coragem para tamanho atrevimento.

- Qual será o próximo? – perguntou o Coronel. – A coragem acabou? Já matei vários, para mim, tanto faz mandar para o além outro tanto. Agora, sumam daqui!

O pessoal aos poucos foi desaparecendo no meio da escuridão. Fazer o que em uma situação assim, o estrago estava confirmado. Os dias passavam-se, a situação só ia piorando. O povo acostumado com a abundância se via obrigado a privações, muitos sumiam no mundo em busca de outras terras, pelo caminho milhares perderam-se a vida, outros se suicidaram. A Maldição do Papai Noel se concretizava. A vegetação em algumas décadas mudara de aspecto, nova flora e fauna se levantavam, enquanto outras sumiam.

O tempo foi passando, o Coronel ganhando idade, já não tinha tanta disposição. Na propriedade dele ninguém tinha coragem e vontade de ir, a solidão virou a única companheira do velho homem, até os capangas foram desaparecendo, muitos mortos em brigas de bares. Tinha uma cadeira de balanço na varanda do antigo casarão, toda manhã e início de tarde lá ele se sentava. Sequer um passarinho aparecia para quebrar o silêncio, de vez enquanto um galo de penas negras e de canto feio subia em uma cancela velha e soltava seu lamento. O homem era tão ruim, mas tão ruim, que viu no galo uma afronta a ele após ouvir de seu último capanga a seguinte frase:

- Esse bicho canta feio demais, parece que quer nos agourar.

Aquilo ficou na mente do maldoso velho. “O bicho canta feio demais. Quer nos agourar”. Na manhã seguinte, ao acordar, abriu seu guarda-roupa e apanhou sua preferida arma, um rifle papo amarelo. Sentou-se na sua habitual cadeira e ficou a observar, seus olhos sempre fixos na cancela. O sol já começava a mostrar sua força, não havia uma única nuvem no céu. Não demorou e o galo, como sempre, saiu do meio da relva e foi subir na cancela, mas antes virou para o coronel, ficou a olhar, parado se encontrava o bicho, parado ele ficou. O Coronel elevou-se as sobrancelhas, estranhou. “Por que o galo tinha parado? Isso não era costume dele”. O homem levantou irritado e foi em direção ao animal. Os olhos daquela pobre ave continuavam a lhe encarar querendo devorá-lo.

- Vou lhe matar assim mesmo, seu desgraçado! Nunca mais cantará e nunca mais me olhará com esses feios olhos.

Ergueu a arma, o cano na direção do alvo. O olhar do galo estava fixo. De repente, o animal volta a andar em direção à cancela, o Coronel atônito, para e fica a observar. O galo solta seu primeiro canto e em seguida outro e mais outro. O galo cantara três vezes. O coronel volta a erguer a arma, mira e leva o dedo ao gatilho, aperta. Silêncio no Sertão. O galo com o barulho voou e correu para o mato loucamente. O coronel tombava ao chão, ao lado, um homem fora das suas razões, nunca teve, segurava uma enorme faca ensanguentada, era o líquido vermelho do perverso Coronel. O pobre coitado olhava para o objeto e gritava: “Matei, matei o desgraçado! A maldição agora acabará. Matei, matei o desgraçado”. O coitado passou o restante dos seus dias repetindo o mesmo pronunciado: “Matei, matei o desgraçado! A maldição agora acabará. Matei, matei o desgraçado”.

- Essa é a real história do Papai Noel – retomava o velho a conversa com as crianças. – Por isso quero que você sejam pessoas boas, de caráter.

- Se formos bons, vovô, o Papai Noel voltará para nos trazer presentes?

- Não sei dizer ao certo, mas se nosso povo esquecer o orgulho e a avareza, certamente, nós teremos um mundo melhor.

- Mas nós somos bons.

- Mais ou menos… Ontem mesmo eu vi vocês tirando a vida de um pobre passarinho que tinha acabado de fazer um ninho naquela árvore.

- Foi para comer.

- E os filhinhos dela quem cuidará? Irão morrer por falta de cuidados. Às vezes fazemos coisas que nos parecem normais, todavia são elas afrontas a Mãe Natureza.

- Tinha dois filhinhos. Hoje eu fui olhar e ambos estavam mortos.

- Não voltem a fazer isso novamente, porque Papai Noel está lá no alto a observar tudo. Agora vão, já é hora de dormir. Mas antes não se esqueçam de escovar os dentes e fazer a oração.

A maldição do Papai Noel se concretizou, ela pendura até os dias atuais, basta olhar ao Sertão. Quem sabe em um futuro próximo o povo se eleve e toda essa querela tenha fim. Nossas terras foram marcadas por grandes e dolorosos embates. No tempo presente, a ganância e a corrupção prevalecem. Tudo se acaba sobre o peso das mãos cruéis dos homens. Sejamos bons para que as chuvas sejam fartas e o nosso povo feliz.

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Jogando Contra

A história é bonita e merece ser sempre lembrada. Nossa região ao longo do tempo teve seus personagens, alguns deles com suas histórias pra lá de engraçadas. Iremos contar um pequeno acontecimento que se deu lá pelas paragens do antigamente. Um fato ocorrido nas peladas de finais de tarde da antiga Água Quente, hoje Erico Cardoso.

O final de tarde se aproximava, a juventude se preparava para um bate bola, rotina daqueles tempos. Repartiram-se os times, onze para cada lado, jogavam-se bons e também os sem habilidades. No baba do dia anterior havia chovida bastante, o pessoal saiu todo encharcado. Mas antes devemos mostrar, ou dizer, como eram confeccionados as chuteiras. Antigamente, por aqui, não existiam as marcas Nike, Adidas, nem tão pouco Puma; chuteiras eram de couro de boi, feita sobre encomenda no sapateiro local. O profissional que exercia a função era Tõe Martins. Os jogadores sempre o procuravam para fazerem seu instrumento de diversão.

- Tõe, estou precisando de um par de chuteiras – chegou um freguês todo sorridente.

- Para quando?

- O quanto antes melhor. Estou jogando de pés descalços. Preciso delas, pois o campo tem muitas pedras e espinhos.

- Vou tirar a medida e em dois dias você terá suas chuteiras.

Combinaram-se o preço e no dia aprazado o jovem voltou para apanhá-las. Ali mesmo experimentou, olhou, voltou a colocar no pé novamente, enfim, ficou satisfeito. Foi aconselhado que se colocasse dois pares de meiões para se evitar os possíveis calos. Esta mesma tarde teria treino, ele iria estrear seu calçado novo, a expectativa era enorme. O treino começou às quatro da tarde, o céu estava nublado, após meia hora de diversão o cacau desceu. Chovia forte, raios e trovões de tempo em tempo. Como o jogo estava gostoso, parar jamais. Com o fim do temporal deu-se o fim da diversão. Cada qual procurou seu destino, uns correram ao rio para se banhar, outros foram para suas devidas residências.

Na tarde do dia seguinte, a juventude estava toda lá, no mesmo local, no mesmo horário do dia anterior, após ter repartido as equipes, a bola rolou. Bola pesada, de couro, escura, para batê-la deveria usar de jeito, senão poderia ocasionar lesão. O zagueiro de uma das equipes era o rapaz de nome Josias. O jogador adversário emendou uma bicuda após receber uma bola mal passada por um parceiro, livrava-se da bola para não correr risco de sofrer um gol, a partida estava no zero a zero. Josias com o seu par de chuteiras novas, tinha estreado no dia anterior, fez uma pose para rebatê-la, de pronto, chutou-a, não, estilingou-a; a bola em vez de ir para frente subiu pela canela, passou por todo o corpo, virou no ombro e foi morrer no fundo do gol do qual o goleiro era do seu próprio time, gol contra. Um golaço diria Galvão Bueno se tivesse a narrar o lance.

O que teria acontecido para o episódio se dá. A chuteira que era de couro com o contato com a água da chuva do dia anterior teve seu bico inclinado, parecia mais a um sapato de palhaço a uma chuteira. Por causa do bico a bola ganhou aquele destino estranho.

- Josias, amanhã você irá jogar virado para o goleiro do seu time, pois assim não correrá o risco de fazer outro gol contra. Disse-lhe um amigo ao deixar o campo.

Essa é uma história baseada em fatos reais. Quem a nos contou foi o senhor Dormário Viana Cardoso.

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Baile à fantasia

mai 15 2013 Published by under Crônica

As pessoas, em tempo de carnaval, costumam-se camuflar a identidade se metendo nas mais diversas máscaras. Se ocultar para fazer o que em plena normalidade não o faria. Essa tradição pendura no decorrer dos séculos e com certeza continuará por outro bocado. A prática comentada estaria dentro da normalidade se o devido fato se resumisse a especifica data. A sociedade em que nos encontramos encaixados, como sujeito ativo dessa ebulição efervescente da vida pensante, a mesma que se diz justa, na maioria das vezes, pauta-se na sombra dos bons valores. Seus integrantes na tentativa de se promoverem usam dos mais variados meios na tentativa única de alcançarem seus devidos objetivos. As máscaras não caem, o carnaval com duração de quatro dias se estende ao ano todo.

Como não existe leitor de pensamentos, como só podemos identificar o outro pela visão, audição e na fala, difícil se torna saber se a pessoa de fato é aquilo que a mesma tenta se passar. Muitos se metem em roupas de grifes, outros em ferrares, uns nos seus vários diplomas, ou por está celebridade em uma mídia que os fazem descartáveis a decorrer das estações.  A vista do público, esses seres são endeusados, reverenciados, bajulados e tudo mais. Poucos são os que fazem algo por apenas fazer sem se importar com a contrapartida. Se se comportam da referida forma, desejam no âmago sorver proveitos. Nessa festa toda, nesse baile, escolher bem a fantasia poderá dá ao indivíduo certas vantagens.

Volta e meia à máscara vai ao chão, literalmente “A máscara cai”. Um momento impar, todos de imediato conhecem o verdadeiro ser. Os demais mascarados se sentem felizes, um momento que merece fartos comentários, muitos burburinhos. “A máscara caiu”. Mas em poucos dias o mesmo coitado escolhe uma nova e se posta como vencedor, vencedor de uma sociedade vencida. A festa continua…

Quando criança via em muitos adultos da sociedade, nomes que percorrem as ruas, esquinas e residências, seres tidos como diferenciados. As máscaras valem muito a distância, basta à aproximação, um pouco de conversa, para se mostrar a realidade. Com o tempo, aqueles que tinham como superiores, uns partiam sob o peso cruel dos vícios, outros era verdadeiro lobo dentro do lar, pessoas que diziam para que os outros fizessem de uma forma executavam o contrário. Feras em pele de cordeiro.

Qual será a minha máscara? A sua me parece muito atraente. Com uma roupagem diferente podemos ludibriar. Em uma sociedade em que a ética é caríssima, mas ao mesmo tempo de nenhum valor, ter em demasia ou não ter nenhuma, figurando nos extremos dos polos, poderá ter suas vantagens materiais. O que importa não é ser, todavia parecer com aquilo que o outrem espera que sejamos. Iludir é fácil, basta um pouco de criatividade, de encenação e de pilantragem. Para muitos é melhor viver sobre o peso de um sonho mentiroso a conhecer o pesadelo da verdade.

O carnaval continua… Será se até os finais dos séculos? Mudando de assunto: “Você está precisando de uma nova máscara”. Mas não escolha essa aí não, pois já escolhi para mim. Voltemos a festa.

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Fim de um sistema de escravidão ao Trabalhador Doméstico?

mai 12 2013 Published by under Contábeis

Ao longo dos séculos os trabalhadores brasileiros conseguiram melhoras substanciais, ganhou-se em termo salarial, diminuiu-se a jornada de trabalho, categorias passaram a ter o piso da classe, vantagens e segurança na hora da dispensa. O empregado começou a ser visto como algo essencial para a obtenção do lucro, a sua valorização refletia e reflete nas finanças das empresas. Getúlio Vargas sancionou em seu Governo, lá pela década de quarenta, um emaranhado de leis e medidas que favoreciam e favorecem até hoje o lado mais fraco, o proletariado. Nesse ambiente em franca ebulição, nessa busca incessante pela igualdade, uma classe de profissionais continuou a margem das Leis, como escravos de um País que os viam dessa forma. Veio o ano de 2013 e enfim os Trabalhadores Domésticos puderam sentir no horizonte os primeiros raios de um novo alvorecer, os grilhões que os impediam de buscarem os seus direitos foram quebrados após séculos de servidão quase forçada.  Princesa Isabel libertara os escravos, contudo nem todos foram libertos pela força e a vontade das Leis, agora se corrige uma falha dos antigos legisladores.

Com o Projeto de Emenda Constitucional 478/2010, que alterou o artigo 7º da Constituição da República, assegurando novos direitos aos empregados domésticos – onde se inclui caseiro, babá, empregada doméstica, motorista, e outros, uma nova era germinou.  A Lei garante ao Trabalhador Doméstico benefícios como horas extras (considerando jornada padrão de 8 horas diárias e 44 horas semanais), adicional pelo trabalho noturno (realizado entre 22h e 5h), salário-família, auxílio creche e pré-escola para filhos e dependentes até cinco anos de idade, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, seguro-desemprego, seguro por acidente de trabalho e adicional de periculosidade ou insalubridade. A Lei passa a conceder ao Trabalhador Doméstico o que há anos vem concedendo aos demais.

Há alguns pontos que ainda precisam de regulamentação, pontos que se não forem postos a realidade da profissão poderão ser um impeditivo para a contratação desses profissionais. Um dos requisitos diz respeito ao FGTS, esse em sua recisão o empregador é obrigado a fazer um deposito de quarenta por cento do valor que existe na conta do empregado, se ficar igual ao concedido ao demais trabalhadores, certamente na hora da dispensa muitos dos patrões se encontrarão em situação complicada, devendo talvez, ser forçados a se endividar para sanar a divida. Mas se o benefício for diminuído, ou retirado, quem perderá será o empregado, pois não disporá desse recurso no final do contrato, na hora que mais necessitaria. O tema é espinhoso e precisa de muito bom senso e análise.

A Lei trabalhista do Brasil remonta ao ano de 1943, naquele momento houve uma revolução. Novas propostas deveriam ser postas em discussão. A Lei como está atualmente onera demais as empresas, nas muitas das vezes os empresários preferem a não contratação. O salário do empregado difere do real valor pago, pois há muito a ser recolhido, desta forma elevando-se o custo final. O Governo conhece bem o assunto, todavia mexer em tais quesitos seria comprar briga com uma multidão de indivíduos, refletindo nas urnas. Enquanto isso, a máquina que move o País (o setor privado) se ver acuada e punida com tamanha carga tributária.

As mudanças vão sendo postas aos poucos, pequenas transformações trazem grandes resultados. A conquista do Trabalhar Doméstico vem diminuir o nefasto peso que a classe carregou por anos. Patrões estão preocupados e buscam orientações, muitos querem está no limiar da Lei. Aqueles que preferirem usurpar os direitos dos empregados certamente terão muita dor de cabeça e dinheiro a desembolsar. No Brasil, a Legislação que rege o trabalho é uma das mais rígidas, o empregado recebe dela a proteção como o lado mais fraco, ao empregador cabe se defender. Nesse novo cenário, proteger-se será o melhor remédio.

NOVOS DIREITOS DOS EMPREGADOS DOMÉSTICOS

Já está valendo

- Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo

- Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção

- Jornada de trabalho de até oito horas diárias e 44 semanais

- Hora extra de, no mínimo, 50% acima da hora normal

- Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança

- Reconhecimento dos acordos coletivos de trabalho

- Proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil

- Proibição de qualquer discriminação do trabalhador deficiente

- Proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho e a menores de 16 anos, exceto aprendizes (14 anos).

Precisa de regulamentação

*Proteção contra dispensa arbitrária ou sem justa causa

*Seguro-desemprego

*FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)

*Adicional por trabalho noturno

*Salário-família

*Assistência gratuita a dependentes até cinco anos em creches e pré-escolas

*Seguro contra acidentes de trabalho.

Aqui temos um link onde você poderá fazer cálculo do valor real a ser pago ao trabalhador doméstico, tem também uma folha de ponto para ser preenchida pelo empregado doméstico e muitos outros cálculos. Muito bom o site. Segue o link (visitado por nós no dia 10 de maio de 2013): http://www.calculoexato.com.br/empregadoDomestico

Fontes pesquisadas no dia 10 de maio de 2013:

http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=5&n=41849

http://blogs.estadao.com.br/blog-da-garoa/advogada-ajuda-a-entender-a-nova-lei-dos-empregados-domesticos/

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Existe vida onde não há compreensão?

mai 11 2013 Published by under Crônica

A ciência diz que a vida se compreende em nascer, crescer, reproduzir e morrer. Para os humanos que conhece e compreende o real significado do nascimento e o da morte, o medo e o receio se justifica, pois os sonhos e pesadelos dominam a mente que sabe raciocinar. Conhecer e achar que se sabe a verdade é ser ignorante sem dizer que o é. Mas essas fases da vida para um pássaro que não possui a capacidade de raciocinar teria algum valor perante o duplo ponto crucial da vida. O filhinho nasce em uma bela manhã, o parceiro morre em um triste final de tarde, para o pobre pássaro o que achar de tudo, o que pensar dessas fases, o que acontece? Se eu tenho vida, mas não consigo raciocinar, o que sou eu, uma pedra, uma árvore, o quê? Se não possuo a razão, qual a razão da razão do existir? Se eu sou um beija-flor, felicito-me ao beijar a flor, todavia o que me faz ser algo sem saber que sou? Para a garça, morrer seria o mesmo que nascer, ou não seria nada? Não entender a Obra é normal quando se pode buscar a resposta. Se não há capacidade do raciocínio, o que haverá de haver? Para o pássaro a morte seria melhor que viver, ou a vida pior que perecer? Em cérebro de pássaro não se consegue ver.

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Empresário, você sabe o que é Ativo e Passivo?

mai 09 2013 Published by under Contábeis

Nas empresas, no balanço delas, há nomes que distinguem certos eventos. Por exemplo: conta em banco, é um ativo, materiais para consumo, outro ativo, maquinas e equipamentos, também; empréstimos, passivo, décimo terceiro a pagar, outro. Cada evento se classifica em determinada parte do balanço, lado esquerdo, ativo, direito, passivo. Conhecer essa ordem, imaginam-se muitos, são para contadores e pessoas afins, mas para o empresário que deseja horizontes promissores, está atualizado com os mecanismos que mostram a saúde financeira e patrimonial da empresa, além de necessário, é algo essencial nos dias atuais. Ter um controle de tudo que existe, de todos os eventos ocorridos em certos períodos, para a empresa é de suma necessidade, pois é a partir desses dados que se chega ao preço de vendas, ao lucro obtido, ao crescimento que se deseja alcançar. Com os novos métodos, hoje online, instantaneamente, o Governo aperfeiçoa seu aparato, o empresário que não se atentar a isso, certamente, terá muita dor de cabeça e multas a pagar. Não importa o porte da empresa, todas carecem de controle e gestão do seu patrimônio. As grandes, como a maioria já detêm de sofisticados mecanismos, tudo isso é coisa rotineira nos seus departamentos, todavia o pequeno empresário que trabalha de forma desordenada, sem sequer saber ao certo se obtém lucros com o negócio, com toda certeza, para esses se atualizarem será o remédio que faltava para crescer nesse ambiente tão competitivo.

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Adeus a Dona Angélica

mai 04 2013 Published by under Crônica

Em uma tarde de outono, como as folhas que vão ao chão, após as badaladas do sino da santa igreja, o féretro era conduzido por amigos e acompanhado por uma multidão rumo à última morada. A vida que pulsou intensamente por noventa e seis anos, parou perante os desígnios do Senhor. A simplicidade e o sorriso alegre fez crescer seu elo de amizades, seu dom da bênção a fez famosa pelos quatro cantos, a sua residência simples recebia tanto carentes, como ricos; doente, ou sãos; não tinha distinção de cor, nem tão pouco de raça. Enquanto muitos brigam para aparecer, as verdadeiras estrelas brilham ininterruptamente, pois não carecem de força para produzirem luz.

Sempre ouvíamos falar em Dona Angélica. Amigos nos diziam das suas idas a residência dela, do alivio que sentia após sua benção. Pelos relatos, por gostar de conhecer e conversar com o nosso povo, tínhamos a curiosidade de conhecê-la. Nos festejos da Padroeira local em 2013, sem ter programado, no vai e volta dos acontecimentos, de repente estávamos a porta da sua residência. Ela alegremente nos recebeu. Fiquei a observar. A conversa fluía fácil. Ela usando alguns ramos benzia quem se prontificasse. Falou-nos sobre a morte. “As pessoas dizem que após a morte as almas vão para o céu, mas no alto só há a escuridão do espaço. Quando as pessoas morem, vão para o fundo da terra”. Demoramos por cerca de uma hora, na despedida ela nos acompanhou até a porta, ficou a nos observar até sumimos no horizonte. Combinamos que breve retornaríamos para nova conversa. Nem sempre o que achamos de fato é aquilo que a Natureza nos reserva.

O monsenhor Santo, Padre Pedro Olímpio, proferiu uma bonita celebração de Corpo Presente.  Na sua pregação, lembrou-se de uma conversa que teve com ela, na ocasião a pediu que fizesse uma oração, como uma grande conhecedora do assunto a fez de pronto impressionando-o.

Dentro da caixa de madeira o corpo era conduzido à morada dos que partiram. A Filarmônica Lira Nossa Senhora da Graça acompanhava o cortejo tocando as antigas melodias. Naqueles passos lentos em meio a cânticos e orações tudo caminhava ao desiderato final. Como um passarinho que conheceu os atributos da vida por saber voar ela se foi, não como os pássaros, mas como alguém que colaborou como pôde para fazer do mundo algo melhor.

Na simplicidade, sem egoísmo e avareza, sem se preocupar com a obra, pessoas fazem sem se importar com os resultados, fazem como se o que estão fazendo fossem atribuições diárias da vida.

Descanse em paz…

O ato fúnebre foi realizado no final da tarde do dia 30 de abril de 2013 em Canabravinha.

Assista ao Vídeo:

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