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Edredons a Preços de Banana

nov 20 2012 Published by under Crônica

Vamos criar novos possíveis ditos populares: “Quem cresce os olhos não consegue ver o óbvio”; “Quando chega a sua porta, desconfie logo”; “Vendedor que abusa dos adjetivos, não vende, engana”.

Nos dias atuais, em que precisamos desconfiar de tudo e de todos; não vacile, desconfie até da sua sombra; agir sem atinar aos fins, ou pensar de acordo com que o outro deseja, será como um singelo coelhinho nas garras afiadas de um leão.

No feriado do dia 15 de Novembro de 2012, pessoas, do sexo masculino, que intitulavam vendedores, vindos de outros Estados, segundo os mesmos, diziam está em nossa pacata cidade a entregar mercadorias encomendadas pelos lojistas locais; homens bem trajados, todos  eles, cada qual, em um carro de luxo, fala rápida e afinada. Percorriam as Ruas e Avenidas a procura de compradores, como eles mesmos afirmavam: “vender as mercadorias que foram enviadas a mais para as entregas”. Sobre a carroceria de uma Hilux trazia um monte de sacos, segundo um deles, edredons.

Estava eu, após o almoço, sentado próximo ao portão da residência onde moro, este de frente para a rua, juntamente com alguns familiares a conversar; o carro estaciona no meio da rua, o homem fala alguma coisa, não demos muita atenção, ele desce e chega ao portão, pergunta-nos se tínhamos interesse em comprar alguns edredons, que o preço era bom, afirmei que não, ele começou a falar rápido, queria porque queria que eu ficasse com os seus produtos, como viu que não tinha jeito resolveu apelar, disse-me se eu comprasse um, ganharia outros cinco de brindes, respondi que não iria comprar, ele de cara amarrada saiu feito uma fera, entrou no carrão e se mandou rua acima. Como diz o ditado: “Quando a esmola é muita até o Santo desconfia”.

Passado uma hora mais ou mesmo, um colega chega todo sorridente dizendo que havia feito um ótimo negócio, que tinha comprado cinco edredons por cento e cinquenta reais. A alegria dele durou pouco; apenas o pacote mostrado pelo falso vendedor era de fato edredom, todavia os outros quatros eram travesseiros enrolados em panos de camas defeituosos. Dito popular: “Comprou gato por lebre”. O rapaz pensara que tinha comprado um e levado cinco, na verdade, pagou por cinco e só levou um. Cada pacote continha três travesseiros, três fronhas e um pano de cama a enrolar tudo, um olhar desatento pensaria que era de fato um edredom. Cada pacote daquele, se posto a venda, não valeria dez reais.

No outro dia ficamos sabendo que outras pessoas também caíram no mesmo golpe, como se diz por aí: “Caiu no conto do vigário”. Da próxima vez que você for abordado por um ambulante, por mais sério que ele lhe pareça, não cresçam seus lindos olhos, pois o dono da situação ali é ele. Se o preço for muito atrativo, desconfie, desconfie, desconfie, pois neste mundo o que não falta são “lobos trajando peles de cordeiros”.

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