Um verdadeiro espetáculo o Festival Teatrando do Colégio Arco-íris

dez 08 2017

O Colégio Arco-íris de Paramirim realizou um bonito evento na noite do dia 06 de dezembro de 2017, quarta-feira, na Praça Santo Antônio. Foi o Festival Teatrando do Colégio Arco-íris. Um momento para os jovens alunos mostrarem muito talento e encanto. O recinto esteve lotado.

Começou com a Filarmônica Lira Nossa Senhora da Graça tocando o Hino Nacional Brasileiro e vários dobrados. Seguiu com a apresentação da Fanfarra de Érico Cardoso. Teve a Capoeira do Movimento Tim Tim entre as crianças. Para finalizar as apresentações culturais da região passou pela praça o Reisado de Chiquinho de Peixoto e a dança dos bonecos.

Para fechar a grande noite, os alunos do Colégio Arco-íris contaram com muita desenvoltura a história do Teatro.

1. ABERTURA

Tudo o que nos cerca

É cultura

Essa diversidade imensa

Do levantar, ao dormir

A comida que nos alimenta

A maneira de nos vestir.

As características regionais

Do nosso Brasil plural

Rico em diversidade

Mais que preserva o tradicional

Trazemos conosco

A fé no Deus criador

A vontade de nos expressar

Arte, cultura e louvor

Semeando a esperança

Cultivamos paz e amor.

APRESENTAÇÃO REGIONAL

História do teatro contada através de musical

2. ARTE PRIMITIVA – PRÉ-HISTÓRIA

O Teatro sempre se fez presente na história da humanidade

Expressando seus sentimentos

O homem era continuamente movido pela curiosidade

Encenava para seus companheiros

Pois ainda não dominavam a linguagem

3. ARTE GREGA – DEUS DIONÍSIO –

O teatro na Grécia começou em homenagem a ele

Relembrando suas glórias

A lenda viva

Que entrou para a história

4. GÊNEROS TEATRAIS DA GRÉCIA – COMÉDIA X TRAGÉDIA- 

Ainda na Grécia,

Tragédias e comédias

Eram gêneros teatrais

Ligados às leis do povo

E as forças da natureza

Ás vezes julgados por pessoas comuns

Outros pela realeza

No teatro grego

5. DRAMA

O drama é intenso, envolvente,

Significando ação

Mais profundo; comovente

Meditativo, inquiridor,

Sofrimento ou aflição

6. ROMA—–CIRCO – –

Senhores que estão presentes

Por favor muita atenção

O Colégio Arco-Íris

Promoveu esta apresentação

Para trazer a todos

Um pouco de diversão

O circo chegou

Para nós a hora é esta!

A praça está enfeitada

A cidade está em festa!

7. IDADE MÉDIA – AUTO

Este gênero

Foi na Idade Média criado

E em 1955

Na obra de Suassuna retomado

8. RENASCIMENTO – COMMEDIA DELL’ARTE –

É a commedia dell’arte meu povo

Da renascença

Um movimento histórico De grande repercussão

Promovendo a cultura E também humanização

Porque a história do amor

só pode se escrever assim:

Um sonho de Pierrô

E um beijo de Arlequim!

9. ROMANTISMO—SHAKESPEARE—ROMEU E JULIETA—7

Verona, bela cidade

Com seus mistérios e encanto,

Cenário de uma história

De paixão e de desencanto

Sentimentos e sensações

No Romantismo se deu

Escrita por Shakespeare

Nunca houve conto mais triste

Do que o de Julieta e seu Romeu

RIQUEZAS DO TEATRO HOJE

10. TEATRO MUSICAL –SALTIMBANCOS

Uma memória doce nos faz lembrar

Viver e sentir

Com o coração puro, voltaremos a ser crianças

E o teatro musical

Aquele que assistíamos na escola ou na praça

Nos remete a lembrança

de uma história a contar

11. TEATRO NÔ –

Berço de uma civilização milenar

Considerado místico e fascinante,

Repleto de contrastes

Entre a tradição e a modernidade.

Faz este pais ser deslumbrante

Estilo lento, de postura ereta,

De movimentos sutis e rígidos

É o universo do teatro Nô

De guerreiros e mulheres enlouquecidas,

Às voltas com os mistérios do espírito.

12. TEATRO DE SOMBRAS –

O teatro de sombras

Teve sua origem na China

Triste e desesperado o Imperador Wu Ti

Sofre com a morte da sua favorita bailarina

13. ÓPERA –

Pura, deliciosa, efervescente,

Terrivelmente difícil de ser cantada

Ritmos marcantes,

Melodias irresistíveis e

Situações muito engraçadas

14. MARIONETES —

Fiz do palco uma nação,

E da arte, minha reencarnação.

E nesse mundo bendito

Sou uma marionete em um teatro infinito.

15. BALÉ –

O “Lago dos Cisnes” lindo e teatral

É uma história de amor fatal

Uma bela princesa jaz encantada

Num cisne branco foi transformada…

16. PEÇAS FAMOSAS DA HISTÓRIA DO TEATRO E ESTÁTUAS VIVAS —

A linguagem modernista

Torna-se coloquial

Semelhante á nossa fala

Mais comum, mais natural

Do modelo português

Afastando-se de vez

Pra ficar mais nacional

Eu sou uma estátua viva…

A minha arte é imitar a emoção;

Fico por horas na mesma posição!

Olhe a minha criação,

Mas jamais se esqueça de que aqui dentro bate um coração…

(O QUEBRA NOZES)

Numa noite estrelada

Dessas de luz muito rara

Uma menina brincava

Como nunca antes brincara

O clima era especial

Era noite de Natal

E ela se chamava Clara

Clara então aguardava

A chegada do padrinho

Homem muito diferente

Alto, sério e bem magrinho

Veio parecendo um Mago:

Padrinho trouxe um presente!”

Clara recebeu contente

Dentro estava um Quebra-Nozes!

Um boneco tão bonito!

Parecia mais um príncipe!

“Que boneco esquisito!”

(HAMLET)

Há algo além do riso ou do drama.

Há a reflexão do choro contido,

Há o desconforto do riso nervoso,

Há a ganância da liberdade ou ainda a liberdade na vingança.

Na ponta da espada, na conversa com o além selada

Gente é gente no reino da Dinamarca

(SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO)

Preparem-se para uma noite de sonhos,

Mas de olhos bem abertos eu proponho.

Nesta comédia tudo pode acontecer

Quando uma confusão foram cometer.

Floresta, fadas, elfos

Magia, fé e encanto

ah, o resto da história

É uma confusão de causar espanto

FINALIZANDO

Afinal o que é o Teatro?

Ninguém pode falar sem nunca ter ouvido,

Ninguém pode falar sem nunca ter sentido.

Talvez se entendêssemos de que se trata esse ‘tal Teatro

Perderíamos a Graça

O Teatro não é pra se entender

O Teatro é pra se sentir, para se viver.

Teatro é aquele sorriso involuntário

O choro de vida da senhora guardado no coração

Vamos cada um de nós, fazermos o nosso Teatro De risos, choros e abraços compartilhados.

Cantos e encantos e momentos tantos.

Vamos camarada Vamos pra luta!

Mas não a luta armada

E sim a luta amada

A luta daqueles que têm no coração o poder da criação,

A força da imaginação.

Vem, vem que eu seguro a tua mão.

VÊM EM ORAÇÃO, DESEJAR A TODOS MAIS AMOR NO CORAÇÃO.

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Homenagem aos 139 Anos de Emancipação Política de Paramirim

set 10 2017

O aniversário de Emancipação Política de Paramirim está se aproximando, no dia 16 de setembro de 2017, nossa querida cidade estará completando 139 primaveras. Compomos uma singela canção e fizemos um pequeno vídeo para homenagear esta importante data.

Assista ao Vídeo:

Nome da Música: “Paramirim sou louco por ti”

Paramirim sou louco por ti

Paramirim no meu coração

Paramirim de muitos encantos

Paramirim é pura paixão

Paramirim terra primeira

Paramirim uma canção

Paramirim ave fagueira

Paramirim minha vereda

Paramirim o meu sertão.

Viva Paramirim

Viva, viva, viva Paramirim

Vivo nesta terra

Pintada por Deus

Amada por todos

Com muita emoção.

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Livro – Afluente do São Francisco – Rio Paramirim

jul 07 2017

Terminamos nosso segundo livro. Afluente do São Francisco – Rio Paramirim é nosso trabalho em forma de poesia. Logo abaixo segue o link para baixá-lo em PDF.

Aperte aqui para baixar o livro em PDF.

A vida de um rio

É penar e penar

Correr sem rumo

Abrir os braços

E se alagar

O rio não escolheu ser rio

Rio foi feito para rio ser

Se minha natureza é assim

Vou crescendo como rio

Pois nasci rio

Por ser um rio

Busco a foz

Igual ao canoeiro

Que precisa remar

Como todo rio

Em sua plena natureza

Juntar minhas águas

As águas do mar.

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A Chuva Vai Voltar ao Meu Sertão – Música

mai 04 2017

Assista ao Vídeo:

A Chuva Vai Voltar ao Meu Sertão
***
A chuva agora vem
Mandacaru já florou
A minha terra seca
O meu amor vai voltar.
***
Com os pingos de chuva
Com a graça de Deus
Por todo Sertão
Fartura brotará.
***
O amor que se foi
Ao céu vou rezar
Para com a chuva
O meu amor retornar.
***
Tudo é só penúria
A morte a passear
Basta a chuva vir
Para a vida melhorar.
***
Este é meu torrão
Outro igual não há
Nasci e vivo aqui
Não pretendo mudar.
***
O que só careço
É de água para plantar
Careço também
Do meu amor retornar.
***
O campo estará florido
A paz reinará
Sertão e coração
Felizes a palpitar.

***
Autor: Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Cordeiro Salvador – Música

mai 04 2017

Assista ao Vídeo:

Cordeiro Salvador
***
Os olhos de dor e paz
Fecharam por um segundo
O Cordeiro nos deixou
Partindo para o outro mundo.
***
Numa tarde tenebrosa
A esperança germinou
Nossa Terra perdida
Uma estrada encontrou.
***
Nas palavras do Cristo
Na luz de nosso Senhor
O sol que agora brilha
Brilha com força e com fervor.
***
Alimenta os passarinhos
Faz brotar a flor
Ilumina o caminho
Com pureza e com calor.
***
Que os humanos confiantes
Eliminem o rancor
Arranquem do coração
A falta de pudor.
***
Martelem na consciência
Palavras de valor
Enraizando no pobre solo
Ternura, paz e amor.
***
Autor: Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Livro Tapuias – Jagunços e Coronéis por Luiz Carlos Marques Cardoso

mar 15 2017

Primeiro livro escrito por Luiz Carlos Marques Cardoso. Você pode baixá-lo no link que segue logo abaixo. Tapuias – Jagunços e Coronéis narra a saga de um descendente dos lendários índios Tapuias no sertão do nordeste brasileiro. Leia o livro e se encante com a bela e enigmática história. Se o leitor gostar do livro, por favor, indiquei-o a outras pessoas. Este livro não é encontrado em papel, apenas em arquivo digital em nosso site.

Aperte para baixar o livro Tapuias – Jagunços e Coronéis.

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Juazeiro da Caatinga – Árvore do Sertão – Música

jan 29 2017

Assista ao Vídeo:

Juazeiro da Caatinga – Árvore do Sertão – Música

Juazeiro, Juazeiro, Juazeiro da Caatinga
Árvore Majestosa
Sempre Verde
De Copa Linda
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro.
Juazeiro, Juazeiro, Juazeiro da Caatinga
És um Gigante
Um Guerreiro
De Troco Forte
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro.
Juazeiro, Juazeiro, Juazeiro da Caatinga
Um Sol em Vida
Aspiração
Do Sertanejo
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro.
Juazeiro, Juazeiro, Juazeiro da Caatinga
Mágico Aroma
Doce Cheiro
De Sertão
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro
Ó Juazeiro.

Autoria: Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)

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Monólogo de um acusado de furto

dez 16 2016

Por um momento, pensei que estava sonhando. Mas, agora, diante deste tribunal, vejo o quanto a realidade me apresenta como um funesto pesadelo. Estou neste lugar, acusado de cometer um furto. Para que tantos profissionais, apenas, para julgar um insignificante sujeito que por força da situação se viu obrigado a buli no que não lhe pertence. Do que me acusam, sei da minha culpabilidade, contudo não sou tudo isso que estão a dizer do meu ser. O promotor disse em suas palavras cruéis que um furto se caracteriza pelo ato simples de furtar, que a pena é a mesma para quem furta um milhão ou apenas um centavo. Pois quem furta uma quantia possui determinação e força para surrupiar a outra quantia maior? Aqui, ninguém pensa em usar uma medida a cada caso. São os senhores severos demais com este pobre cidadão. Aquele que levantou queixa contra mim, um senhor rico, de muitos dotes, poderoso e influente. Logo, vejo sentado em confortáveis poltronas senhores advogados contratados por ele, profissionais que estão a desenvolver seu santo ofício por um bom numerário em dinheiro. Quanto cada advogado desses ganha por dia? O que custa um frango, meus senhores? Um simples frango caipira? Se adentrei na fazenda dele e furtei um frango foi por uma boa causa. Naquele lugar havia milhares de frangos, só precisava de um, só levei um. Todavia fui filmado e neste momento me vejo preste a ser condenado a quatro anos de prisão, ou mais. Minha esposa e meu filho estavam famintos. Os senhores sabem a dor que é passar fome? Não, não, os senhores nem de longe conhecem ou viram a fome nos olhos. Eu a vi e a sentir na alma. É meus senhores, na alma. Pois ela após devorar as forças físicas, passa a consumir o espírito. Quanto a mim, morrer de fome seria até um alento. No entanto, padecer observando, de mãos atadas, minha família em lágrimas se derreter por falta de alimento, pesado demais para um bom pai e para um bom esposo. Furtei o frango e se for necessário novamente, novamente furtarei outro e outro e se possível todos os frangos que existem na face da Terra. Com o meu ato, o único crime que cometi, mas que não é crime nas esferas jurídicas da nossa Constituição, foi ter o desprazer de tirar a vida do frango. Quanto custa um frango, volto a indagar-lhes? Quanto custa um dia de trabalhos dos senhores? São muitos fogos para um zunido de uma mosca. Gostaria de trabalhar. Não sou preguiçoso, tenho ócio o dia todo, isso sei. Não porque desejo, e sim por não conseguir desta sociedade uma chance, uma corda para que eu possa segurar e transpor este rio caudaloso e frio. O Estado me ignora, as pessoas me ignoram, já a Justiça, com seus olhos de águia faminta, me persegue e me caça. Elevem seus olhos as esferas superiores, ou ao seu redor, ou até em vocês mesmos. Quantas autoridades que furtaram milhões sequer são chamadas a depor, vivem uma vida regadas a luxo e a mordomias, que insistem em pôr uma venda nos olhos da Justiça. Escolheram-me como bode expiatório. Alguém precisa pagar algo neste País. Por que não o ladrão de galinhas? Pura disparidade de um Estado falido de princípios e de moral. A ética do bolo é repartir as gostosas fatias entre os privilegiados do sistema. Para um degredado, para mim, melhor o conforto da prisão ao abandono e à indiferença da liberdade. Na cadeia, pelo menos tenho o que comer, ruim ou bom, em certos horários receberei minha ração; no mundo, não sou nada, não presto para nada, ninguém me enxerga. Meu medo é o meu receio. Condenando-me estarão condenando o meu filho e a minha esposa. Se sou ladrão para a justiça, o que será um filho de ladrão sem um pai no amanhã sem luz? A culpa da minha desgraça é a culpa dos senhores. Todos são culpados por meu crime. Se roubei foi pelo determinismo social que me arrastou feito a um rio bravo montanha abaixo. Meu pai não me criou para ser ladrão, fui criado para ser um cidadão de bem. A droga da divisão mal feita dos recursos da sociedade me obrigou ao resultado da ação. Enquanto os senhores têm muito e de sobra; nós outros não temos nada; pior, perdemos nossa honra para salvar o dia negro que nos devora em vida. Não estou a pedir esmolas, quero apenas que nos deem condição para que possamos ser pessoas íntegras. Como sei que em rio calmo não há revolução; ricos se acomodam nas suas banalidades de uma vida prazerosa; sei também que rio em início de jornada é bravo a ponto de abrir seu próprio caminho, rasgando montes, desbravando florestas; é da pobreza que germina a revolução dos tempos. O grito quem dá é o pobre. Rico murmura banalidades ao pé do ouvido. Se lancei mão de advogado, faço pelo simples fato de não carecer esconder meus erros por trás de leis. Quem necessita de advogado é a pessoa que errou e que deseja safar do barco furado. Furtei o frango, furtei, não nego. Os motivos já expressei. Quanto a minha pessoa e as pessoas do meu filho e da minha esposa estamos nas mãos dos senhores. Façam valer a lei e me promulgue já o veredito.

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Padre foi obrigado a ir a cavalo – História de Sertanejo

dez 16 2016

As histórias vão surgindo dos acontecimentos rotineiros dos dias. Um momento pode-se transformar em um conto digno de ser narrado para que todos venham a conhecer. O que é a vida senão um amontoado de passado contado para alegrar e criar o presente. Nessa passada, tenho o prazer de deixar minha modesta contribuição.

- Chofer, quantas pessoas irão no automóvel até a sede? – indaga Mario.

O rapaz precisou ir à comunidade de Tabua para resolver algumas pendengas, tudo pronto, necessita retornar ao conforto da família e do lar.

- Somente eu e o vigário – respondeu o chofer pacientemente.

O motorista era amigo de infância de Mario, eram como dois bons irmãos.

- Se quiser ir conosco, faço questão de levá-lo – disse o chofer.

- Perguntei ao vigário se ele poderia me levar até a sede; ele me disse que não havia vaga, que o carro estava lotado. Agora o senhor me diz o contrário.

Tratava o chofer com muito respeito, por isso usava o tratamento senhor; naqueles tempos pregressos esta profissão imprimia certo glamour.

- Ele disse isso, foi? – indaga o chofer com certo ar na fala. – Pois é ele que não irá de automóvel. O danado terá que ir a cavalo. Deixe comigo. Ele me paga.

Não demorou muito, o vigário apareceu rodeado por várias pessoas da localidade. Despedia-se deles, enquanto adentrava no veículo.

- Dê partida, chofer – manda o vigário impaciente. – Vamos. Para que tanta demora! Preciso chegar cedo em casa. Tenho compromisso.

O chofer bateu a chave, o motor fez barulho, bateu novamente, o mesmo barulho. Saiu, abriu o capô, mexeu, retornou, bateu a chave, o mesmo ruído voltou a aparecer.

- Padre, o carro está com um pequeno probleminha – disse o chofer. – Vou consertá-lo. Mas vai demorar um pouco. Se o senhor tem pressa, melhor pegar um cavalo emprestado com alguém e ir à frente.

- Este carro foi dá problema justamente agora, logo agora que estava com tanta pressa – irritou-se o vigário.

- Máquina é assim mesmo: quando menos esperamos, ela nos deixa na mão.

Um senhor de imediato providenciou um animal para o padre. O chofer ficou encostado no carro, Mario do lado, a observar a partida do vigário. As pessoas acenavam dando um até logo. O dia já corria para o meio-dia, o calor do sol era avassalador. Pobre padre, iria padecer um bocado, sofreria pelo orgulho, pela avareza. Se tivesse ajudado o companheiro que precisava de carona, estaria viajando no conforto do progresso, mas usou do pecado e agora paga um pouco da divida com sofrimento.

- Viu, Mario, como se faz com pessoas ruins – falou o chofer. – Deixe o padre ir longe para descermos à sede.

- E ele não irá achar ruim e se irritar com o senhor, não? – indaga Mario curioso.

- Ele pensa que manda em mim, não sabendo ele que é ele que está sempre em minhas mãos.

O tempo correu rápido. Vinte minutos após, o chofer batia a chave e o automóvel ganhava vida.

- Vamos – falou o chofer. – Quero encontrar o padre ainda na entrada da sede. Quando ele colocar os olhos em você, cairá de costas. Vai ficar uma arara.

E o carro ganhou a estrada na maciez da modernidade. Sem força, no conforto de um banco acolchoado, ia os dois pela estrada de terra. Encontraram o vigário já na entrada da sede, parou o veículo ao lado do vigário montado no animal.

- Deu tudo certo, vigário – disse o chofer feliz. – O carro agora está pronto para viajar.

- Agora – reclamou o vigário. – Queime-me todo neste sol de rachar. Vou descer e ir com vocês.

- Não, vigário, não pode. E o cavalo? Vai deixar o animal do homem pelo meio da estrada. Está perto. Falta pouco mais de um quilômetro. Vou ficar aguardando o senhor na porta da sua residência.

- Eu vou no carro e o carona leva o animal – disse resoluto o vigário.

- Ele está com um furúnculo na coxa, não pode montar em cavalo tampouco andar a pé, ainda mais sob um sol deste. Continue a sua viagem. Está perto, poucos minutos você estará em casa.

Deu partida no carro e arrancou levantando poeira para irritar ainda mais o religioso. O padre nervoso, esquecendo-se do seu santo ofício, xingou Deus e o mundo.

Uma história baseada em fatos reias.

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Minhas dúvidas, suas dúvidas, nossas dúvidas

dez 16 2016

Não quero escrever minhas certezas, marco o papel com minhas dúvidas. Aquilo que é certo é correto em si e não carece de reboco. O chato do correto é querer que tudo seja certo. A linha reta e constante é tédio puro a ferir os sentidos; correto não é, mas bagunce a linha com subidas, decidas, curvas e depressões e veja a beleza surgir. Com a dúvida tudo muda. Preciso aprender para entendê-la. Quanta atração nos rouba a atenção. Que charme de madame poderosa a encantar com seus magníficos dotes sensuais. A dúvida tem perfume, possui uma pele maleável, há sabores venerados e cores em aquarela sutil. Por isso com minhas dúvidas coloco abaixo todas as certezas ditas certas até então. Sou radicalmente radical quanto à forma e à beleza. Quanto mais torto aos olhos, mais mistério a ser apreciado. Uma certeza jamais suportará o peso cruel e demoníaca de uma dúvida. Se duvida do que digo, pronuncie uma certeza que fervilha lentamente no seu coração, por sinal, sentiu ou não sentiu uma duvidazinha na sua consciência ao tentar apontar tal certeza. Enquanto o homem existir, sua existência será a maior das dúvidas já inventada. Duvidar é preciso sempre para nos manter de pé e disposto a cobrir as dúvidas com papel fino e transparente de certezas. Quem se diz correto, duvida da própria palavra.

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