Cangaço – Episódio 01 – Nosso Novo Projeto

ago 02 2019

Assista ao Vídeo:

Abrimos com este vídeo nosso novo projeto aqui no nosso canal no You Tube. Iremos abordar temas relacionados ao Cangaço e a história de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião. Venha com a gente conhecer contos, notícias, fatos, textos, poesias, literatura referente aos cangaceiros.

Poema – Repente

Foi na data de vinte e oito

Que tombara morto Lampião

Mil novecentos e trinta e oito

Ano que marcara o sertão

O mês exato foi o de julho

Momento de muito orgulho

Pois deram fim ao Capitão.

***

Hoje a data se repete

Oitenta e um anos da ação

Ano de dois mil e dezenove

Data de comemoração

Abrimos este novo projeto

De cunho bastante discreto

Das façanhas de Lampião.

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Notas De Um Diário – Crônica Em Vídeo

jul 25 2019

Assista ao Vídeo:

Nota de um diário

Meu dia hoje parecia correr na mesma habitualidade de sempre. Levantar, escovar os dentes, tomar café, molhar as plantas, ler, trabalhar, almoçar, jantar, assistir televisão e ir dormir. No entanto, sempre há tempo para que o tempo das coisas mude tudo e nos coloque temperos novos no nosso arroz com feijão. É deste jeito, basta um átimo de segundo para o inusitado nos engolir em um único gole.

Estava chegando à residência onde moro, carro já na garagem, estava pronto para fechar a porta. Final de tarde, o sol já ia quase todo sumindo no horizonte, a lua com cara de quase cheia já era a dona do ambiente. Voltei o olhar para o oeste, vinham gritos daquela direção. De repente, vi uma criança chorando e gritando do lado oposto da rua, cerca de quarenta metros do local onde eu me encontrava. Percebi logo que a garotinha estava com medo de um jovem cachorro que se encontrava defronte à casa dela. Os gritos de medo foram tão altos que em seguida a porta se abriu e um ser saiu correndo e gritando. Um homem, acredito ser o pai da criança, irado, foi em direção ao cão, ligeiro e furioso. O animal ao perceber o perigo correu a grunhir de pavor. O homem com toda força chutou o cão, contudo o animal foi mais rápido e se safou da agressão. Pobre homem, perdeu o equilíbrio e rodopiou antes de esborrachar na pavimentação de paralelepípedos. Só escutei o estrondo. O cachorro, um jovem, passou perto de mim correndo e assustado, dócil por sinal. O agressor levantou furioso a gritar palavrões, amaldiçoando o cãozinho.

Se houvesse alguma câmera por perto que tivesse gravado este acontecimento, daria uma vídeo cacetada de primeira. Deixemos para lá e nos detemos nos fatos. Em poucos segundos e em curiosos acontecimentos poderiam ter terminado em tragédia. Se o cachorro levasse aquele chute, pela força que vi, certamente estaria morto, pois naquela situação o homem continuaria a malhá-lo até a morte. Na queda do homem, se tivesse algum objeto cortante no chão, poderia ter sofrido algum ferimento grave ou até mesmo ter vindo a óbito. Agir com o efeito da fúria não nos parece um caminho correto. Basta um segundo para o banal se transformar em mortal.

E a vida é assim, sempre a nos imprimir surpresas. Fiquei com dó do cãozinho, fiquei com dó da criancinha e no final acabei ficando com dó do homem. Meu dia teve mais fatos, todavia que merece ser narrado ou contado somente teve este. Por fim, agora escrevo este texto, apenas estou nesta labuta pelo simples fato do fato mencionado ter acontecido perante meus sentidos.

Paramirim, 14 de julho de 2019.

Autor: Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Pleonasmo Vicioso em Vídeo

jul 12 2019

Assista ao Vídeo:

O tal do pleonasmo /
Eu vou subir pra cima /
Eu vou descer pra baixo /
Eu vou entrar pra dentro /
Eu vou sair pra fora /
E se alguém vier me falar de pleonasmo /
Eu o mando ir para o caralho. /
Gritando alto /
Murmurando baixo /
Seguindo em frente /
Voltando atrás /
Se tudo isso for pleonasmo /
Digo e repito /
Que minha opinião é pessoal /
Pois sei que de um todo repartindo ao meio teremos metades iguais /
Estou vendo com meus próprios olhos /
Estou sentindo o cheiro no nariz /
Vou falar com a minha boca /
Assim forma um elo de ligação na ação direta do coração /
Pleonasmo, pleonasmo /
Qual pleonasmo? /
Aqui não! /
Produzo poemas /
Sou escritor de frases /
Cantor de melodias /
Sou um pleonasmo /
Sabendo eu que estando vivo simplesmente vivo /
Oh pleonasmo! /
Oh pleonasmo! /
Como o amanhecer do dia /
E o entardecer da tarde /
De uma surpresa inesperada /
Entre a multidão de pessoas /
A andar com os pés /
E a carreata de carros /
Vou adiando minha partida para depois /
Já que preciso comparecer pessoalmente /
À prefeitura municipal do município /
Onde estão os vereadores da cidade /
Encarando de frente os fatos reais /
Das verdades verdadeiras e absolutas /
Do enfermo doente /
Que com hemorragia de sangue /
Pereceu morto /
Sem nunca imaginar /
Que o pleonasmo vicioso /
É um vício que não sai da boca do povo. /
Autor: Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Violência Brasileira na Atualidade

jul 08 2019

Assista ao Vídeo:

Violência Brasileira na Atualidade

Está mesmo complicado viver na sociedade brasileira atualmente. O caos social vem crescendo ano após ano. De onde nasce tamanha loucura? Os entorpecentes parecem ter tomado conta da juventude. As famílias já não são mais núcleos de segurança. O poder público não consegue assegurar o direito de propriedade dos cidadãos. Neste mar de lama, nosso Brasil vai se afogando pouco a pouco. É uma areia movediça que suga todas as virtudes deixando expostas os piores desejos humanos.

Resido em um município do interior da Bahia, pouco mais de vinte mil habitantes, na sede são cerca de dez mil. O nome desta cidade é Paramirim. Aqui vivemos rodeados por montanhas, temos um rio muito bonito, temos vários pontos turísticos. Nosso povo é acolhedor e pacato, gente boa. O local já foi tido como um paraíso em pleno sertão.

Volto a minha adolescência, coisa de vinte anos atrás, final da década de noventa, início do século vinte e um. Naquele tempo, tempo de paz, tempo de amizade, tempo o qual o medo da violência, praticamente, não existia. Drogas eram para alguns dois indivíduos, a juventude mal consumia bebidas alcoólicas. As pessoas ficavam sentadas defronte às residências a conversarem até altas horas da noite, as praças estavam sempre cheias. Era ou não era um paraíso? As casas possuíam muros baixos, muitas sequer os tinham.

Hoje, voltando meu olhar para geração em que me coloco, vejo que pouco acrescentou para o desenvolvimento do País. Fomos uma geração cinco e meio, ou seis para passar na matéria. Negar a realidade, não, vamos apenas expor os fatos como devem ser expostos, claros e sem brilhos, pois foram assim que eles vieram ao mundo.

Falaremos agora da atual geração, desta juventude que desponta, deste sol que nasce para fazer mudar as conjunturas sociais do seu tempo. Se a minha geração teve aquela ingrata nota, esta que agora brota com muita vitalidade ganhará nota menor que a anterior. Não pense que somente pelo fato de termos mais tecnologia fará desta geração algo melhor. Olhar para os jovens e seus hábitos, olhar para este rumo de cultura que estão se empregando em nossa Pátria Amada, observar atentamente os dados e a realidade que nos tocam a todo momento, não restam dúvidas que o que estão criando é um monstro nunca visto por aqui.

A paz de outrora já não existe mais. Temos verdadeiras fortalezas, muros com cerca elétrica, câmeras, vigias… A noite já não é mais um lugar seguro, há vários locais da cidade que sempre é bom evitar. Trocamos nosso paraíso por esta loucura que apenas está nascendo com garras afiadas e uivo forte de fera. Isto apenas falamos de interior, as capitais, falem vocês que aí residem e conhecem bem a realidade onde vivem.

O que observamos é a destruição da família. As leis e as loucuras dos governantes impõem aos seus governados objeções no intuito de uma melhora que só chega como desgraça. A liberdade dada aos jovens é a perdição deles próprios. Sem capacidade mental para discernir se lançam nas modas televisivas. Jogadores e integrantes do show business são suas referências. Carregam no corpo um amontoado de tatuagens, de argolas no nariz, de brincos. Parecem animais irracionais. Usam anabolizantes para terem corpos de modelo de filme e de novela. Muitos morrem cedo vitimados por câncer de fígado ou intestino.

Saber do investimento altíssimo em educação e ver os piores resultados de todas as épocas. Aqui, há ônibus para buscar alunos por toda parte da sede, mesmo a poucos metros da escola. Os adolescentes recebem tudo, o retorno que dão para o país é um rótulo de país de analfabetos funcionais. Estamos entre os piores na educação. Aonde queremos chegar? Não sabemos gramática tampouco matemática. Aonde iremos chegar mesmo?

Um ponto que ainda merece aplausos é a importância da religião. Se não fossem as igrejas, a baderna estaria ainda maior e pior. Mesmo atacado pela mídia a todo momento, Jesus vem se impondo perante esta massa desgovernada. Ou buscamos em Deus um apoio, ou padeceremos por males que ainda irão germinar neste solo imundo e fedorento que nasce debaixo de nossos pés.

Em Paramirim, passou a ser normalidade temos roubos, homicídios, suicídios ocasionados por uso de entorpecentes, e muitas outras anomalias de iguais quilates. Isso virou corriqueiro e habitual, toda semana um fato novo. E olhe que o nosso município investiu alto em segurança. Se não tivesse investido, como não estaria este nosso presente?

Espero que os rumos mudem de direção, que voltemos a sonhar com dias melhores. Olhar para o horizonte e não enxergar coisas boas, deixa-nos desanimados. A juventude que não se esforça, mas que espera da sociedade louros de vitória, ao acordar perdida certamente cairá nas drogas e no crime, sendo que seu mundinho desfez com a realidade crua e cruel. Você que é pai, você que é mãe, reze, ore sempre ao Céu e peça para que livre sua prole do vício das drogas; se a vida de seu filho pular das nuvens às trevas, à sua não logrará outro caminho.

Apenas um pouco de reflexão sobre nossos atuais dias.

Paramirim, 08 de julho de 2019.

Autor: Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Lua Dos Meus Sonhos Em Vídeo

jun 20 2019

Assista ao Vídeo:

Ao ver a lua subir ao horizonte, cheia, a transbordar luz no ambiente, a encher os corações apaixonados de contentamento, vibra por toda a Terra o perfume doce da alegria angelical, pulsa nas veias o sabor ímpar das paixões; neste clima primaveril de uma noite de luar, segue a vida com mais brilho, emoção e ternura. O que seria das noites terrenas sem a presença mensal deste deus inspirador e sedutor? A poesia deve sua existência a Lua. A Lua é a companheira da mãe Terra na jornada solitária pelo espaço cósmico. Vai, Lua, dá sua volta em torno do Globo, enquanto aqui sentimos seus efeitos. A Terra toda faceira, apaixonada pelo seu brilho, treme, vibra, pulsa em alegria. Lua dos namorados. Lua das estações. Lua dos meus sonhos.

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Inverno – Soneto

mai 27 2019

soneto-inverno

Assista ao Vídeo:

Inverno

***

O dia hoje amanheceu tímido

Coberto por manto de nuvens

O vento, o frio, alegres aos pingos

Pingando aromas doces surgem.

***

Era sol, calor e quentura

Coração alado sem ventura

Basta o tempo se transformar

Para a ternura o amor voltar.

***

Com a temperatura nova

Um bom livro amigo se torna

A cama atrativo convite.

***

Banco da praça me namora

Deixo-me andar em meu cubículo

Pois me faltam amor e amigo.

***

Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Você sabe com quem você está falando?

mai 20 2019

Hoje eu acordei e de cara deparei-me com esta indigesta interrogação: “Você sabe com quem você está falando?”. Fiquei a olhar atentamente para aquele que me inquiriu. Olhei, olhei e olhei. Realmente, preciso pensar um pouco para formular uma resposta.

Eu estava defronte a um espelho. Nós dois nos encarávamos. Parecia a um duelo de filmes de faroeste americano. Quem irá atirar primeiro. Não, não, quem irá falar primeiro. Como ele não se mostrava confiante em abrir a conversa, decidir iniciar um bate papo.

- Quem é você?

No mesmo instante recebi a mesma indagação. Uma pergunta deveria seguir de uma resposta, mas seguiu da mesma interrogação.

- Meu nome é Paulo.

Ele tem o mesmo nome que eu. Estranho. Olhando bem o seu rosto, seus traços se assemelham com os meus.

- O seu nome é igual ao meu.

De novo falamos as mesmas palavras ao mesmo tempo. Parece telepatia. Que coisa estranha.

- Você mora onde?

Tudo que eu falo ele repete.

- Moro em São Paulo.

Ele também mora em São Paulo. Talvez ele more aqui perto. Poderemos ser bons amigos.

- Você mora aqui perto da rua x? Sim, moro. Poderemos ser bons amigos, então? Claro.

Que sintonia a nossa. Gostei dele. Parece muito comigo.

- Por que você sempre repete o que eu falo?

Não dá para ter uma conversa saudável com este rapaz. Ele está a debochar de mim. Como devo proceder diante dele? Agora, ele só me observa atentamente, parece meditar. Ele, com certeza, está armando alguma. Conheço este tipo de pessoa. Sujeitinho malandro.

- Pare de olhar para mim deste jeito!

Olhe a petulância dele, quer que eu pare de olhar para esta cara feia. Mas deixe comigo. Ele me paga. Sei lidar com gente assim.

- Mas você é arrogante! Sua mãe deve estar triste por ter um filho como você.

Eu estou perdendo o juízo com este rapaz.

- Você me respeite, seu cabra!

Acabou de me chamar de cabra.

- Deixe-me em paz. Vá procurar a sua turma.

Se eu pudesse, eu encheria a cara dele de porradas. Sujeitinho petulante.

- Vem cá, você tem namorada?

Ele deseja saber o nome de minha namorada. Será por quê?

- Cecília. Por quê?

O nome é igual ao nome da minha namorada.

- Cecília de quê?

Será se Cecília me traiu com este sujeitinho ordinário? Estou ficando preocupado.

- Cecília Aparecida Santos Silva.

Meu Deus, ela me trocou por este sujeito. Como ela pôde ser cruel assim comigo. Mas isso não irá ficar assim. Tenho que resolver esta situação agora. Nunca fui de violência, contudo não suporto mais tamanha tortura.

- Seu desgraçado! Toma!

Ele me feriu na mão. Como dói. Está sangrando.

Cadê você que sumiu? Apareça. Você sabe com quem você está falando? Volte para terminarmos o nosso duelo.

Uma porrada deferida contra o espelho fez desaparecer a sua própria imagem. Convivemos com nós mesmo o tempo todo, sequer nos conhecemos por completo. É uma tortura o diálogo de mim para comigo, pois as respostas recebidas das indagações feitas já foram processadas pelo mesmo canal. Não posso encontrar em mim o que não tenho no meu interior. Se não consigo diante do espelho determinar quem eu sou, como poderei exigir de outrem saber quem sou eu. Por isso uma inquirição assim só poderá ser feita perante o espelho, mesmo assim sem um resultado favorável, pois sequer nos conhecemos ao fundo. “Você sabe com quem você está falando?”. Com toda a certeza deste mundo: não, não sei.

Luiz Carlos Marques Cardoso 19/05/2019.

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Somos Garotos Propagandas Zero Oitocentos

mai 14 2019

O que me leva a ser medíocre? A sociedade moderna está carregada de fatos em que raciocinados levariam certas pessoas a notar a sua estupenda basbaquice. A normalidade da massa encobre aberrações comportamentais. Se um grupo considerável de indivíduos segue certo modismo, nas muitas das vezes, tal ponto de vista se propaga como vírus. Quando estamos afogados neste lamaçal sequer nos damos conta da gravidade em que nos encontramos perante nós mesmo.

O que leva uma pessoa a adquirir uma camisa cara com a marca de uma empresa multibilionária de refrigerante? Usar tal camisa doada ou oferecida pelo patrocinador gratuitamente não seria tão grotesco, mas fazer propaganda pagando caro é algo que precisa ser estudado.

Vi uma foto de um jovem fotografado tendo ao fundo um painel com a marca de uma cerveja famosa no carnaval. Ele sorridente, feliz. Postou nas redes sociais achando aquilo o máximo do máximo. Meu Deus para aonde estamos indo? Que loucura. Além de pagar caro pela bebida, ainda assim se dá ao mico de fazer propaganda. Já não bastam termos de usar tênis estampando as marcas dos produtos.

Mas o ponto a ser abordado esteja justamente em mostrar aos olhos do mundo seu status como consumidor do capitalismo selvagem. Quanto mais caro for o produto, maior será o interesse em exibi-lo. Se o mundo atual o que manda é o dinheiro, mostrar, para quem tem recursos sobrando, vem a ser algo primordial na vida dos seres sociais. Viramos vitrines vinte e quatro horas. Neste tempo de redes sociais e fotos, então, parece ultrapassar as horas do dia.

Não percebemos a nossa idolatria impulsiva a certos fetiches. Muitos passarão a vida toda e nem os perceberão. Somos usados o tempo todo como estopim de enriquecimento de grandes corporações. O que fazer diante deste dilema peculiar? Cada dia que passa, é necessário, procurar-se policiar mais. Sabemos da pressão das mídias, sabemos da opressão dos grupos em que estamos inseridos, sabemos da força avassaladora das opiniões da massa. Precisamo-nos desviar de tais armadilhas. Quanto ao leitor, faça o que lhe aprouver. Se desejar vestir sua camisa do time do coração e sair gritando pelas ruas, saia, mas lembre-se de que teu ato particular estará servindo a certos interesses estranhos ao seu conhecimento. O manto sagrado para você é a fortuna do esperto que você nunca conhecerá.

Luiz Carlos Marques Cardoso – 13/05/2019.

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O que vem a ser melhor para nós

mai 07 2019

“É melhor afastar-se do mundo pouco a pouco, em vez de tudo de uma vez” – Pio de Pietrelcina.

Lendo certo texto em um singular livro, deparei-me com a frase citada acima, dita por Pio de Pietrelcina. Busquei algo da biografia do autor, encontrei uma história bastante volumosa e cheia de mistérios. Ele tinha o poder de bilocação, poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo, vários acontecimentos são mencionados, tornando-o especial. Ele foi um ser que passou pela Terra e deixou seu legado; se assim não fosse, não estaríamos falando de sua vida ainda agora.

Voltemos à sugestiva frase. O que ela quer nos dizer? Está clara para o leitor? O que vem a ser: “É melhor afastar-se do mundo pouco a pouco”. E o que insinua: “Em vez de tudo de uma vez”. Nos atuais dias, dias de um materialismo sedutor e catalisador da cultura universal, uma frase como esta vem na contramão de toda a ideologia aplicada na sociedade, na cultura reinante. Devemos, pouco a pouco, nos afastarmos da matéria que nos cobra fidelidade e amor incondicional, assim se deduz da frase. Os bens sedutores que nos roubam os sentidos nos deixando apaixonados sem noção e razão, eles devem ser repelidos pelo bom senso.

Ou fazemos, aos poucos, nosso desapego da matéria; ou faremos de uma só vez em um segundo de tempo em uma ocasião qualquer. A morte irá chegar, cedo ou tarde, com suas garras a nos arrastar sabe-se lá para onde. E toda nossa vida vivida em prol dos pertences que pensávamos serem nossos terminados da mesma forma que começou, como um enigma dos céus. Ao fechar os olhos para este mundo, o que de fato importou em nossa existência? O nosso suado patrimônio pula de mãos num estalar de dedos, o defunto até o corpo perde aos vermes e à terra. O que pensar da banalidade da nossa insignificante história.

Pio Pietrelcina foi formidável em estruturar tal frase, conhecedor da religião e do apego dos humanos pelo material, moldou algo que nos instiga a pensar no atual estado da nossa existência. Ele já transpor o lago da vida para eternidade, contudo o poder do seu verbo ainda vibra como notas agudas a mostrar aos que querem respostas o verdadeiro segredo do bom caminhar. Se não acumulei riquezas, se não erigir pirâmides, se não fui imperador, pelo menos sentir o cheiro das flores, pelo menos ouvi os cantos dos pássaros, pelo menos tive o prazer de viver, para mim só de estar vivo valeu todo o sacrifício da vida. Do mundo não se leva nada, apenas nos é outorgado a chance de saborearmos momentos felizes, momentos ruins, momentos diversos, momentos.

Luiz Carlos Marques Cardoso – 06/05/2019

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Algo de positivo aconteceu na sala de aula

abr 05 2019

- Hoje iremos estudar a Segunda Guerra Mundial – disse o professor para a sala de aula repleta de alunos.

- Mas, professor, eu não sabia nem que tinha existido a primeira guerra e o senhor já vem querendo explicar a tal da segunda – redarguiu um aluno curioso.

- Verdade, ou uma brincadeira sua? – indagou o professor sem ação.

- Verdade. De história eu só sei a do Brasil. Se é que eu sei mesmo. Acho que sei.

- Mas nesta série já era para que todos vocês tivessem conhecimento de muitos assuntos.

- O senhor quer saber, professor? Eu não sei nem escrever direito. Também não sou bom em leitura.

- Mas o que vocês fizeram nas séries anteriores?

- Fizemos o que nos mandaram fazer. Resultou neste fracasso, neste fiasco.

- Mas vocês têm bons professores, têm escola bem conservada, têm transporte escolar, tem merenda, e o resultado é este?

- Se de trinta alunos, três a quatro são razoavelmente bons, não pelo que os professores passam nas aulas, mas pelo que é estudado em casa, algo deva está errado com este método de ensino.

- Verdade. Algo deva está errado. Acho que vocês não aprendem porque falta interesse, comprometimento. Está sobrando preguiça.

- Professor, para que tentar aprender um monte de assuntos que nunca irei usar na vida?

- Não é bem assim. Vocês precisam aprender, pois irão precisar na hora de prestar um vestibular, fazer a prova de um concurso.

- E depois? Vendo o meu atraso, olhando o tempo perdido, queria neste momento apenas saber ler e escrever correto. Nem isso eu sei. Os senhores não ensinam, simplesmente, porque gramática não cai no vestibular ou no concurso público. As provas viraram apenas textos com cunhos ideológicos, com propósitos pensados por autoridades perversas.

- Não é bem assim, você está equivocado.

- Agora o senhor vem falar em Segunda Guerra Mundial. Será que o que irá passar é a pura verdade, ou será mais uma manobra de entes para nos persuadir? A escola perdeu seu dom de ensinar, virou a casa da mãe Joana.

- De onde você tirou tudo isso? Você está equivocado.

- Equivocado? Não, professor, eu não estou equivocado. Tenho minhas razões. Este ensino não ensina ninguém a nada. O interesse do Estado é nos fazer marionetes nas mãos deles. Quando todos falam as mesmas palavras quem tente falar diferente é taxado de equivocado. Se eu fosse equivocado, o ensino do Brasil seria um dos melhores do mundo, na verdade paira entre os piores. E não é por falta de dinheiro, pois hoje há bem mais recursos do que outrora, contudo outrora tinha mais efeito positivo que nos atuais dias.

- Pelo jeito você anda lendo escritores proibidos. Estas ideias foram plantadas na sua cabeça por indivíduos, como posso me referir, indivíduos perversos e doentes. Você precisa esquecer estas coisas e pensar como todo mundo. Precisa passar em um vestibular, conquistar um emprego, crescer em uma carreira, ganhar dinheiro, ter uma família… Se você for por este lado, irá sofrer muito, não irá conseguir vencer na vida.

- A mesma fórmula para todos. Parece até que somos robôs. Também vou precisar roubar para ficar rico? Os conceitos foram invertidos. A sociedade patina sobre densa lama de hipocrisia. O caminho do sucesso financeiro no Brasil é um só, o da malandragem, do jeitinho, da trapaça.

- É melhor deixarmos esta conversa de lado. Vamos começar a nossa aula. Pelo jeito você sabe muito bem o assunto que iremos tratar. Seu desejo era me afrontar. Se for seu objetivo, já conseguiu.

- Não, nunca pensei em afrontar o senhor, apenas usei deste momento para trazer mais interação com os meus colegas. Viu como eles ficaram ligados no nosso debate? Talvez nós precisássemos debater mais para que as aulas tenham mais produtividade. Então vamos conhecer a Segunda Guerra Mundial. Vamos voltar ao século vinte, ao ano de 1939.

Luiz Carlos Marques Cardoso – 04 de abril de 2019

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